Sonho
Vamos deixar de lado os comentários corriqueiros sobre os eventos do dia, os assuntos rotineiros que escondem o fundamental.
Vamos falar da vida e da morte, do som e do silêncio, da paz e da angústia, da dor e da alegria, sem falsos pudores, sem alegorias.
Vamos falar do Sonho que acalentamos, não como se ele fosse
algo que "gostaríamos se houvesse a possibilidade", que "escolheríamos se nos fosse concedida a oportunidade", mas como algo essencial, visceral, a que se almeja, que se deseja, que avança, que se alcança.
Afinal, por sua grandeza e por sua natureza imaterial o Sonho se eleva acima dos pares de opostos, guiando o sonhador através da noite escura, fazendo-o vislumbrar o inimaginável e descortinar territórios incomuns.
Para fazer esse percurso, cheio de aventura e beleza é preciso ter coragem. É preciso despertar o sonhador dentro de nós.
Redescoberto, ressurge o encanto e deslumbramento que um dia sentimos quando crianças. E assim, renascidos e rejuvenescidos vamos falar do Sonho e depois...vamos vivê-lo!
sábado, 24 de março de 2012
segunda-feira, 19 de março de 2012
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Alma itinerante
A cada dia que passa
Vou descascando um pedaço
Da minha alma escancarada
Envergonhada de se ver
E ao mesmo tempo curiosa
Por descobrir o que tem
Atrás dos portais brilhantes
Que tentavam escondê-la.
Cores irreconciliáveis
Paisagens do mundo dos sonhos
Passagens secretas para sabe–se lá onde.
Dores secretas explodindo
Rompendo com a ordem conhecida.
O que fazer com o limbo
Com a memória e os fiapos
De um mudo que não existe mais?
A cada dia que passa
Vou descascando um pedaço
Envergonhada de se ver
E ao mesmo tempo curiosa
Por descobrir o que tem
Atrás dos portais brilhantes
Que tentavam escondê-la.
Cores irreconciliáveis
Paisagens do mundo dos sonhos
Passagens secretas para sabe–se lá onde.
Dores secretas explodindo
Rompendo com a ordem conhecida.
O que fazer com o limbo
Com a memória e os fiapos
De um mudo que não existe mais?
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
O menino despenteado
Ela havia aprendido, não sei onde nem como, que se fosse
perfeita poderia, talvez, ser amada. E por isso, em busca de afeto, foi se
lapidando esperando encontrar o tão esperado reconhecimento. Foi também, ao
longo do caminho, aprendendo a desprezar aqueles que não se dedicavam à tarefa
de corresponder aos padrões ideais de conteúdo e forma. Padrões olímpicos.
Recompensas, nem tanto.
Quando estava no 3º ano primário ouviu a professora dizer:
_Vocês farão duplas fixas durante todo este ano. Essas
duplas farão os trabalhos juntas, se auxiliarão e trocarão experiências. Serão
selecionadas por sorteio.
Então, a surpresa. Seu parceiro era o menino mais
despenteado da classe. Ele dormia na aula, não se interessava por anda, não
estudava nem fazia as lições. Gostava de brincar, jogar, assistir televisão.
Ler? Nem pensar! Fazer trabalhos em grupo? Sem comentários. Além disso, não
sabia jogar bola, nem pingue-pongue, não entendia de música, não conseguia nem
mesmo fazer um desenho decente... Meu Deus, será que ele tinha alguma remota
qualidade????? Ela que havia tentado criar a personalidade agradável, ser a
primeira aluna, comportar-se “como uma mocinha” e que se exibia como se fosse
um ser superior era obrigada a transitar, a explicar, a conviver com o pior dos
meninos! Não era justo! Na verdade, ela sentia vergonha.
No início, espalhou para todos que não tinha nada a ver com
aquilo, com aquele sorteio, com aquele menino, com a raiva que ele lhe
provocava, com a vergonha que ele lhe causava, com os problemas escolares, com
as humilhações que ele sofria, com o isolamento no qual se encontrava nas
ocasiões em que ninguém sua companhia. Não. Aquele ser, evidentemente,
visivelmente inferior não combinava com seu estilo, com seu vestuário, com seu
piano e com suas mãos delicadas... Era algo que destruía qualquer tentativa de parecer
perfeita. A ruína de um projeto de vida. Se ela tivesse tido opção, teria
mudado de ano, de classe, de escola, teria fugido, fingido não conhecer...
Mas quis o destino que ela não tivesse escolha. Era ele e pronto.
Um dia passou e depois outro. E ela descobriu que o garoto
despenteado ria muito mais do que ela. Ele se sentia imensamente feliz cada vez
que alguém vinha em sua casa brincar. E embora precisasse também de afeto não
estava pronto a negociar sua forma de ser e seus desejos para obtê-lo. Ele
sabia que não era perfeito e que jamais o seria, mas esperava ser amado assim
mesmo. Ela enfim percebeu que por trás daquele “desastre ambulante” havia um
ser amoroso, inocente, de luz. Pela primeira vez, deixou de lado os pensamentos
emprestados que mediam o mundo com a régua da crítica, abandonou sua alma de
pedinte e enxergou com seus próprios olhos. E esses olhos podiam amar um "ser
imperfeito".
E embora ela tivesse passado todo um ano tentando
ensinar-lhe matemática, história, português era ele o verdadeiro mestre, pois
demonstrou, sem nada dizer, que o amor não é uma moeda de troca, não pode ser
negociável, não é conquistado como um prêmio em uma prova de resistência. O
verdadeiro amor é dado, sem condições. E é esse amor que o menino despenteado
veio ensinar ao mundo.
Enquanto você olhar o mundo medindo o valor de tudo, você
verá o menino despenteado, desajeitado. Quando enxergar a realidade através do
seu ser mais puro verá um menino de luz. Mas isso é segredo.
No ano seguinte, no momento do sorteio, a menina que se
queria ser perfeita e que tinha certeza de que não era não esperou a professora
perguntar. Segurou na mão desajeitada do seu amigo despenteado e declarou que
gostaria de continuar a fazer dupla com ele. Afinal, seu aprendizado estava
apenas começando.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Desembrulhando-se
Quem não gosta de ganhar presente? Quem não gosta de descobrir, embaixo de tudo o que o cobre, o conteúdo inesperado ( ou aguardado!) de um pacote especial? As vezes, passamos a vida nos dando presentes materiais e isso nos alegra, por algum tempo. Mas, entretidos com o brilho do que existe fora, esquecemos de desembrulhar o nosso maior presente: a nossa alma. Não existe maior aventura, ou maior alegria do que ir retirando as camadas e camadas que a escondem.
Aos pouco vou descobrindo que aquela pessoa que tinha receio de abordar os outros não era eu, era um outro, uma noção importada que havia colado em mim como um durex. Hoje, minha alma tem outros planos.
Aos poucos, vou entrevendo os sonhos que haviam sido meio soterrados pelas convenções e aprisionados em nome das obrigações socias. Retiro essas fitas que prendiam minha alma e ela começa a respirar um pouco mais.
Contendo a furiosa vontade de viver e de experimentar tudo, havia um papel muito resistente chamado "você deve" e uma grande caixa opaca ocultava o brilho de um Ser ávido de felicidade.
Assim, ao avançar me "desembrulhando", vou encontrando tesouros inimagináveis. Ideias, antes tidas como inconcebíveis, passam a habitar o mundo dos vivos, do possível, do provável.
Haverá caminho mais inesperado do que trilhar o território interior, esquadrinhá-lo e discernir aquilo que nos pertence daquilo que acreditávamos ser nosso? Jornada longa, mas fascinante, cujo prêmio é encontrar-Se.
domingo, 8 de janeiro de 2012
Sem Limites
Tive um sonho muito curioso. Eu estava no alto de uma montanha da qual se descortinava um panorama impressionante: uma imensa cordilheira, vales em varios tons de verdes, um rio que avançava por entre as matas e um céu de luminosidade impressionante. Ao meu lado, um guerreiro indígena de estatura elevada contemplava a vista.
-"É maravilhoso". disse eu.
-"É. E eu me pergunto porque você ainda escolhe viver a vida como formiga..."
Perto de mim, havia um formigueiro e eu podia observar a diligente ação dessas criaturinhas entrando e saindo, cumprindo sua ação de sobrevivência. Olhei para ele esperando uma explicação.
_"Diante de tudo isso, de todo esse universo você ainda escolhe se preocupar como o infinitamente pequeno. Suas minúsculas preocupações cotidianas ocupam todo o seu pensamento e você simplesmente não vê o MUNDO que está a sua volta. Entra no formigueiro e não enxerga mais nada. Vive vida de formiga. Mas, a beleza, a grandeza e as possibilidades continuam aqui. Esperando.
_"Não há limites." continuou ele.
_"Os limites são ilusórios. Livre-se deles, enxergue e viva a vida."
Acordei. Ele tem razão. Vou sair do formigueiro, criar asas e explorar tudo o que o mundo pode oferecer.
Tive um sonho muito curioso. Eu estava no alto de uma montanha da qual se descortinava um panorama impressionante: uma imensa cordilheira, vales em varios tons de verdes, um rio que avançava por entre as matas e um céu de luminosidade impressionante. Ao meu lado, um guerreiro indígena de estatura elevada contemplava a vista.
-"É maravilhoso". disse eu.
-"É. E eu me pergunto porque você ainda escolhe viver a vida como formiga..."
Perto de mim, havia um formigueiro e eu podia observar a diligente ação dessas criaturinhas entrando e saindo, cumprindo sua ação de sobrevivência. Olhei para ele esperando uma explicação.
_"Diante de tudo isso, de todo esse universo você ainda escolhe se preocupar como o infinitamente pequeno. Suas minúsculas preocupações cotidianas ocupam todo o seu pensamento e você simplesmente não vê o MUNDO que está a sua volta. Entra no formigueiro e não enxerga mais nada. Vive vida de formiga. Mas, a beleza, a grandeza e as possibilidades continuam aqui. Esperando.
_"Não há limites." continuou ele.
_"Os limites são ilusórios. Livre-se deles, enxergue e viva a vida."
Acordei. Ele tem razão. Vou sair do formigueiro, criar asas e explorar tudo o que o mundo pode oferecer.
sábado, 7 de janeiro de 2012
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